Como investir US$ 1 bilhão
Exame, 26/04/2004
Os executivos do Banco Itaú e do grupo Votorantim estão no seleto clube das empresas privadas nacionais sem problemas de caixa. Ou melhor, com um problema de caixa diferente da maioria, que é decidir o que fazer com o bilhão de dólares que sobra no caixa todos os anos. Ter todo esse dinheiro à mão parece ser o melhor dos mundos para um executivo financeiro. O excesso de caixa, porém, pode tornar a empresa vítima do próprio sucesso. O Itaú, por exemplo, lucrou cerca de 1 bilhão de dólares no ano passado e, nos últimos cinco anos, vem oferecendo a seus acionistas uma rentabilidade patrimonial que oscila entre 20% e 30% ao ano. "Nosso desafio é preservar essa rentabilidade em um ambiente de juros mais baixos", diz Henri Penchas, vice-presidente sênior do Itaú. Aí começa o laborioso processo de encontrar negócios não apenas seguros e rentáveis mas também grandes o bastante para o porte do Itaú. A avaliação de uma compra passa por três fases. Na primeira, a equipe de Penchas avalia perspectivas macroeconômicas (como inflação, crescimento e desemprego) e financeiras (como demanda por crédito e inadimplência). Em seguida, passa a avaliar o candidato à compra. "Temos de responder a duas perguntas. A primeira é o que ganhamos comprando, em vez de construir do zero. A segunda é quais são os riscos dessa compra", diz Penchas. Respondidas essas perguntas, a avaliação é submetida ao crivo do presidente Roberto Setubal e, em seguida, do conselho de administração do banco. Só então Penchas pode fechar negócio ou abortar as negociações.
O grupo Votorantim resolveu sua necessidade de avaliação de investimentos criando uma empresa específica para isso, a Votorantim Novos Negócios. A tarefa do seu diretor-presidente, Paulo Henrique de Oliveira Santos, é avaliar projetos para destinar o caixa da Votorantim que não vai para as áreas tradicionais do grupo, como cimento, papel, metais e, mais recentemente, a área financeira. Santos dedica-se a procurar dois tipos de novos negócios. Um tipo são projetos de risco, cujo desempenho está baseado no sucesso de novas tecnologias. Outro tipo são negócios mais tradicionais em setores nos quais a Votorantim não atua.
Os candidatos a sócio dos Ermírio de Morais devem demonstrar não apenas capacidade gerencial mas também paciência. O processo de aprovação de um plano de negócios leva, em média, seis meses. A decisão passa por dez estágios, que vão desde a primeira avaliação de um dos analistas da Votorantim Novos Negócios até a palavra final do conselho de administração do grupo. Para ser aprovado, um projeto deve ser financeiramente sustentável.

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